segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Flores no Asfalto


Aproveitando esse turbilhão de sensações, decidi resgatar uma que tive há alguns dias ao assistir o curta-metragem Semeador Urbano.
A vida é boa, apesar das pessoas e dos lugares que temos que encarar, que digerir...de toda essa hostifutilidade.
A maior prova disso, são essas vidas que surgem em meio ao concreto, pequenos verdes em meio ao cinza.
É assim que eu me sinto, assim que eu me vejo, uma flor em meio ao asfalto.
As coisas têm ficado pequenas, eu não caibo mais nessa cidade. Na verdade, eu não caibo em ninguém aqui. Eu não pertenço a essa realidade.
Por muito tempo me senti uma estranha, tentei me adaptar, tentei mudar...mas o que é intrínseco é imutável.
Mas por que não viver fora do meu habitat natural, ser diferente, ou melhor, fazer a diferença!
Talvez isso seja uma missão, no meio de toda a caca, exalar um aroma gostoso...
Coisas que não são desse lugar, são minhas.


Cicatriz


A gente vai ficando mais velho e vai desenvolvendo a tal da amnésia seletiva. É, é quando excluímos coisas passadas de nossa memória por opção, e aos poucos aquilo definitivamente some e mesmo que você vá la no fundo do hipocampo...não sobra nenhum resquício, é como se nunca tivesse acontecido!
Mas hoje eu descobri que o passado que eu mais queria poder esquecer é o passado alheio. E é muito curioso que coisas da minha própria vida machuquem menos que as dos outros. Aí, imaginei que isso deve ser como ver uma cicatriz horrorosa de alguem e nos incomodamos, nos sentimos mal...e quase conseguimos sentir a dor que um dia aquilo causou.
Por alguns instantes, ao saber aquilo, tive medo de passar pelo mesmo. E talvez eu tenha tomado a decisão que mudará o resto da minha vida, tudo pelo sofrimento que o passado alheio me causa.